quinta-feira, 22 de abril de 2010

Descrição de uma suicida.

Ela está deitada em sua cama. Como sempre costuma fazer. Principalmente nas amargas e demoradas tardes de domingo.É tudo sempre igual. Mesma casa. Mesma família. As mesmas brigas, sempre pelos mesmos motivos. Os mesmos amigos falsos. E sempre os mesmos amores medíocres e decepcionantes. A mesma escola. A mesma rua. Só não a mesma menina pura e inocente de alguns anos atrás.
Agora com 17 anos. Uma menina bonita, a que todos os homens desejam. Cabelos negros, pele bronzeada. Um corpo com curvas perfeitas e perigosas. Olhos pequenos e uma boca bem desenhada. Olhar sedutor. Ela sabe como conquistar qualquer um.
Só não sabe os perigos da sua mente. Não os entende. Dois mundos se chocam em sua cabeça. Pensa em tudo, ao mesmo tempo não pensa em nada. Sente amor e ódio pela mesma pessoa. Ela chora e ri. Acha que vai ficar louca. Ela apenas sofre por algo que não sabe exatamente.
Seus neurônios não aguentam mais. Ela chora. Ela começa a se cortar. Devagar. Atenta a cada gota de sangue que sai de sua pele e toca o chão sujo. Aquela dor se torna insignificante. Ela agora se sente mais calma e sorri. Mas não está completamente satisfeita. Precisa de algo mais. Algo que a tire da realidade, da rotina, da amargura, algo doce e suave como a morte. Ela então corta os pulsos. Sabe que vai demorar pra morrer, mas não importa. Ela quer sentir cada minuto daquela doce e tão desejada morte. Então ela se sente feliz, como nunca sentira antes. E tudo aquilo parece estar levando-a ao céu. Ela fecha os olhos e sorri. Chegou a tão sonhada hora.

Texto escrito em 13/09/2004 por uma amiga louca com um potencial suicída.

domingo, 18 de abril de 2010

Liberta-te do rebanho.

Trata-se de preservar o “si mesmo” do homem, de dar lugar e reconhecimento para a vontade própria, ao invés de abrir-se para a vulgaridade do aprisco. O homem moderno teme a solidão porque se enojou de si mesmo e porque se desaprendeu de si e sente-se impotente quando está só, sem a explicação moral do todo, refém do instinto da obediência, sem a paz do rebanho, sem a resposta da massa, sem o pressuposto do bem-estar e da felicidade eterna.
Giacóia (2002, p. 67)


...

E me dói ver o quanto o rebanho é essencial na vida das pessoas.
E me dói olhar para alguém e nada ver de novo, de singular.
Esse estranhamento me dói.
Não sejamos tão normais.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ata, Ata, Ata....


A melhor fruta do MUNDO... tem sabor de infância... sabor do meu amado Tururu... sabor de quero mais!
Um presente do meu pai, foi o pé de ata no nosso quintal...

terça-feira, 13 de abril de 2010

EU SOU EGOÍSTA!

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede... implora...
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber... sem provar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou anti-socialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou,
Por que não...???

Composição: Raul Seixas / Marcelo Motta

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fingir não é bom.

"Uma coisa que as pessoas não entendem é que a aceleração pode ser tão paralisante quanto a depressão. Por exemplo, se eu pegar um trem para passear no interior da Itália, na Toscana, e ele não sair do lugar, não vou ver nada. Isso seria depressão. Se eu pegar o trem e em vez de ele andar a vinte , trinta quilômetros por hora, for um TGV (trem mais rápido do mundo) e correr a 220 por hora , também não vou ver nada. É como se eu tivesse ficado parado na estação. No entanto eu fiz o percurso todo, mas fui muito rápido. Então não consegui metabolizar nada, não consegui ver nada. O meio-termo é necessário, e até um pouco de depressão, para você realizar um poema, uma música..." (trecho retirado do livro: Não sou uma só: Diário de uma bipolar)

domingo, 11 de abril de 2010

sábado, 10 de abril de 2010

Uma arte.


Não é difícil aprender a arte de perder
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que sua perda não traz desastre.

Perca algo todos os dias. Aceite o susto
de perder chaves, de perder tempo.
Não é difícil aprender a arte de perder.

Depois pratique perder mais rápido mil outras coisas:
lugares, nomes, onde planejou suas férias.
Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe.
A última, ou a penúltima, de minhas casas queridas.
Não é difícil aprender a arte de perder.

Perdi duas cidades, entes queridos.
Pior, perdi alguns reinos, dois rios, um continente.
Perdê-los trouxe saudade, mas não desastre.

- Até perder você (a voz que ri, os gestos que amo).
Não posso mentir: não é difícil.
Não é difícil aprender a arte de perder.
por mais que a perda - anote isto! pareça desastre.

Elisabeth Bishop

sexta-feira, 9 de abril de 2010

E um dia você vai ver...

que ninguém é melhor do que você...
que ninguém se compara a você...
que ninguém é tão lindo e tão singular quanto você...
Príncipe, Gentleman!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

Foi que já é.

Amanhã,
quando eu não mais te amar
não te direi que não te amei
não te direi que não senti
não te direi que não existiu...
Porque existiu!
Me desculpe, mas não foi engano...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

-Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver...


"Estou falando do fim de um relacionamento amoroso muito forte, muito bonito, muito importante. Justamente daqueles que nos parecem eternos. Fim que veio de fora e não de dentro de mim e, sobretudo, à minha total revalia. O mais doloroso de tudo era a saudade do que vivera enquanto esse amor durou e me encantou, renovando minha vida e ressuscitando meu corpo."

domingo, 4 de abril de 2010

Aquela Singular.

Difícil. Fácil. Novo. Velho.

Hoje. Ontem. Amanhã. Amanhã?

Igual. Diferente.

É o se deixar levar.

Pelo vento, pelo outro, por si mesmo.

Se prender a algo seu. Só seu. Fugir em si mesmo.

E ser feliz. Feliz viver.

...

Não esqueço da expressão do rosto dela.

Com o cigarro e o Whisky que tanto gosta.

E toda uma classe. Hipnotizante. Instigante. Apaixonante.

Singular. Encontrei outra Singular em meio a tantos Plurais.

Chorou. Deu o último trago. E falou.

E filosofou.

E desabafou.

A felicidade confundida.

A supervalorização do ser feliz.

As consequências do conhecimento.

Os prazeres da ignorância.

A dor e o prazer de Existir. E de Resistir.

Ser. Não-Ser. Eis a “sugestão”

O Outro.

O Outro.

O Outro.

O Outro sou Eu.

Eu.

Eu.

Eu.

E esse quem será?

sábado, 3 de abril de 2010

O segredo é sentir.


Ela comentou que eu tenho ritmo.
Daí os outros pararam e se aperceberam da meu mexido e remexido.
E confirmaram.
E eu fiquei pensando… “mas eu não sei técnicas, só me mexo”
Daí verbalizei.
E eles exitaram em me tirar pra dançar
Elas desistiram de me acompanhar.
E eu continuei a dançar graças a ele:
O Pé
Que me deixa ficar de pé
Que me deixa dançar
E quando quero, me deixa chegar de mansinho
E de vez em quando me faz andar no ritmo do tempo, do meu tempo
Correr quando quero que sejam liberadas as “inas”
“Adenalinas, noradrenalinas, serotoninas, oxitocinas”
Ou pedalar quando quero sentir o vento mais forte no rosto
Me permite ficar de cócoras estilo “a la capoeira” quando as pernas cansam
E rodar…
E pular…
Pés que me permitem…
E eu danço…
Eu danço…
Eu danço…
Eu vivo.