quarta-feira, 17 de março de 2010

Porque pra ser novidade não precisa ser imprevisível.


Roberto Freire me fez adentrar na história, no lugar, nas viagens e nas entranhas dos personagens. Exibe a loucura, o sexo, a natureza, o “outro”, as fugas, os vícios, a música e a poesia de uma forma previsível, mas surreal pela naturalidade e liberdade com que foram descritos os contextos.
“Por que a beleza e o tesão que emana das mulheres provêm de sua loucura.”
Leonora e a íntima relação com W. Reich e sua teoria a respeito da potência orgástica, que seria “…a capacidade de descarregar completamente toda a excitação sexual contida, por meio de contrações involuntárias, agradáveis ao corpo, e do qual nenhum neurótico tem o prazer de vivenciar.”. Uma mulher "dissimulada", que justifica o Pink Floyd no seu gravador e Miró nas paredes da sua casa dizendo ser maníaca.
A descrição das vivências e das sensações experienciadas em Visconde de Mauá, êxtase de todos que passam por lá…
A admiração do Coiote por Hendrix: “Eu tenho facilidade, se eu pego um instrumento e fico em cima dele, acabo tocando. Mas não me interesso muito por música. Só a do Hendrix. Mas também aquilo que ele fazia não era música.”
A escolha do autor por “Arthur Rimbaud” como pai. Um promutante “… que aos dezessete anos, já era o maior poeta da França e o exemplo mais chocante de vida em liberdade…”
E o Sexo que é mostrado sem limites e sem preconceitos… o com.tato com outro corpo… seja ele qual for… com uma vaca, com a terra, o Tesão com a música, com a mãe, com o vento…
E os Duendes… pela sinceridade com que vivem e compartilham as coisas… pela vivência sempre inédita e sem memórias, pela autenticidade do fazer e do ser. Encantadores por possuirem uma intuição, uma percepção sensorial e uma sensibilidade muito superior à nossa.
Porque pro Coiote, Mahler e Hendrix são a fórmula perfeita pros ouvidos duendões… e duendões são todos os artistas, as crianças, os poetas, os índios e os chamados loucos. Depois disso, quem não tem vontade de conhecer o som do Mahler, certeza que não é duendão.

Poisé… tô na metade do livro e essa é só uma tentativa de descrever o meu com.tato com ele.

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